Escrita Criativa – Textos III

3 – Texto sobre um multimilionário que quer comprar o templo romano…

“Xang adora a sua mulher Xing, quase uma figura de porcelana, tão harmoniosos são os seus traços e tão delicada a sua pele. Os seus olhos meigos enfeitiçaram-no. Por isso, deseja levar-lhe uma prenda que a possa surpreender. Viajou pela Europa e só em Évora encontrou a prenda digna do seu amor. O Templo Romano, símbolo de Perenidade, seria a prova desse amor eterno. O monumento emblemático da cidade seria cuidadosamente desmontado e transportado até à terras do Império e pelo qual estava disposto a pagar uma quantia fabulosa. O Governo Português afirmou que não podia recusar tal oferta em tempos de crise. Só o povo ficou triste perante a possibilidade de ficar sem a sua mascote.”

 

“Era uma vez um multimilionário vindo das arábias, carregado de petrodólares, que desembarcou em Évora.

Ao passear-se pela “cidade património”, deu de caras com as ruínas de um Templo romano edificado sobre uma cidade árabe – ao que julgou.

        – Que afronta! – disse para os seus botões. – não querem ver que foram tapar a glória dos meus antepassados com uma série de colunas que já serviram de talho?!

Vou comprar estas ruínas e arrancá-las. Assim permitirei que a Europa e o Mundo observem as belezas da civilização  a que pertenço.

As colunas levá-las-ei para o Dobai e mostrarei a todos a pequenez das “grandezas” europeias.

Viva o profeta! ”

 

“O telefone tocou. Na majestosa sala da Presidência da República, o Presidente despertou em sobressalto … Não era Passos Coelho, actual Primeiro Ministro, pelo que até se alegrou.

Quando o Presidente ouviu um “Hello!” vindo do Qatar, sendo saudado pelo Príncipe reinante, um sorriso inundou-lhe o rosto e, atento, após respeitoso cumprimento, ouviu a proposta: “Senhor Presidente, ao saber das dificuldades que o povo português experimenta, pensei que talvez fosse uma ideia nobre… adquirir o Templo Romano, em ruínas desde há séculos! Nele podíamos criar um complexo polivalente, onde todos pudessem usufruir de arte , cultura, entretenimentos vários, obter apoio social e, acima de tudo, conseguir emprego para todos!!…” 

 

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Escrita criativa – textos II – Irei a Évora…

2 – Pequeno texto começado pela frase “Irei a Évora” 

Irei a Évora hoje e sempre

O que não me surpreende

Pois nela encontrei o amor,

A alegria e, até, a dor!

Pelas ruas estreitas

Irei recordar e vivenciar

Estórias de um passado

Rico, tesouro bem guardado!

Em cada pedra da calçada

A história de outros povos revelada

Gravei na mente

E partilharei contente…

Irei a Évora, visitar-me.

Irei a Évora procurar os momentos que deixei à luz das colunas do Templo, sob o sol azul e único.

Irei a Évora reencontrar os laços que teci com fios de amizade e ternura.

Irei a Évora aconchegar-me no calor do lume ardente das lajes da Sé.

Irei a Évora olhar atónita no Geraldo, à terça-feira, as sombras desenhadas pelos vendedores de gado.

Irei a Évora rever o luar a incidir nas ruelas interditas inundadas de tabus.

Irei a Évora sempre!”

“Irei a Évora…
pagar uma promessa antiga, ouvir os sinos da catedral gótica
sentir o cheiro dos bolos da “Violeta” subir a acrópole da polis
demorar na montra da drogaria azul
cumprimentar o Beato Balou
fotografar os meninos da Graça tirara uma fotografia a “la minuta” no Jardim Público
tomar uma refeição vegetariana na casa da Maria Inácia
Irei a Évora…
talvez no próximo Solstício do Verão”

“Irei a Évora onde vivi tempos esperançosos e outros bem amargos. Esperam-me os espaços sombrios das igrejas mas também as praças luminosas por onde correm pequenos rios de gente vagarosa. Avistarei a planície dourada e irei ao encontro da minha saudade. “

Escrita criativa – textos

A Oficina de Escrita Criativa  realizou-se em Évora, na sede da Associação, a 17 de novembro de 2012, com a formadora Susana Otão (Jornalista)

Vamos iniciar a publicação de textos produzidos, por atividade, mantendo o anonimato dos seus criadores.

1)     Escolher 5 palavras de entre uma imagem tipo word cloud, incluindo a palavra Évora. Realizar uma frase para cada palavra. Depois um pequeno texto para uma das frases.

“Ao chegar a esta cidade, Évora, a minha vida foi influenciada por pessoas que achei encantadoras. Na relação com os outros, dentro e fora da minha escola, cresci, aprendi e vivi…”

“Vivo em Évora há alguns anos e aqui o tempo parece correr mais devagar. Mas não esqueço Lisboa, essa cidade buliçosa e garrida onde passei os anos irrequietos da minha adolescência. Fecho os olhos, revejo as faces e oiço as vozes dos amigos que conversam horas sem fim. Recordo palavras que me libertam e me ajudam a respirar.”

“A forma aperfeiçoa-se ao longo dos dias. Por isso alguém vai dizer-se hoje em Évora. Apesar da chuva, aqui estamos. Nada nos fará desistir. Vamos contar os dias, bátega a bátega.”

“Para a família Santos, Évora era sua Évora doce. Eles sentiam o cheiro da planície, e o cheiro da planície é o cheiro das coisas, das muitas  coisas que tinham deixado atrás…”